sábado, 19 de março de 2011

PROGRAMAÇÃO CINEMATOGRÁFICA DE PONTA GROSSA "SUPERA" AS EXPECTATIVAS

POR FÁBIO AUGUSTO STEYER


Nesta última semana, a Cinematográfica Araújo, empresa proprietária das quatro únicas salas de cinema de Ponta Grossa, conseguiu se superar: lançou dois dos principais concorrentes ao Oscar deste ano ("O Discurso do Rei" e "Cisne Negro") em apenas uma sessão diária (21h30min), deixando-os MENOS de uma semana em cartaz!!!
Isso porque as cópias (que estavam em Londrina) só chegaram no sábado, quando normalmente as estréias ocorrem nas sextas-feiras.
Poxa, ninguém está pedindo para lançarem os últimos Manoel de Oliveira ou Abbas Kiarostami, ou então os filmes das mostras paralelas de Cannes, Berlim, Veneza, etc. Isso seria comercialmente inviável em nossa cidade.
Mas será que os filmes do Oscar, prêmio mais popular (e pop) do mundo do cinema, não mereciam melhor sorte e não teriam um apelo de público por aqui?
UMA, apenas UMA sessão diária, e MENOS de uma semana em cartaz.
Se é para lançar mal, melhor nem lançar.
Óbvio que teria pouco público.
Mas, pensando melhor...
...Numa sociedade em que boa parte das pessoas está mais preocupada com o "paredão" do Big Brother do que com os recentes e graves acontecimentos do Japão, talvez seja melhor mesmo preencher os horários com coisas medonhas do tipo "Invasão do Mundo" ou "Vovó...Zona 3"!!!!

terça-feira, 15 de março de 2011

Os participantes do projeto de extensão e pesquisa Cinemas e Temas, vinculado à Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais e ao Departamento de Letras Vernáculas da UEPG, comunicam as sessões do evento “Diálogos entre literatura e cinema” para o ano de 2011.


Sessões mensais, sempre aos sábados, às 14 horas.
Certificado de participação para aqueles que obtiverem 75% de freqüência.
Coordenação: Prof. Dr. Fábio Augusto Steyer.
Informações no blog do projeto:
http://www.cinemasetemasuepg.blogspot.com/


DIÁLOGOS ENTRE LITERATURA E CINEMA
Campus central da UEPG.
Sala B-108.
Março a novembro de 2011.
Sempre às 14 horas.


SESSÕES JÁ DEFINIDAS:


26/03
CONCERTO CAMPESTRE
(Brasil/2004)
De Henrique de Freitas Lima.
Com Antonio Abujamra, Samara Felippo, Leonardo Vieira e Araci Esteves.
Baseado no romance de Luiz Antonio de Assis Brasil.
Comentários: Rosenéia Hauer (Professora da rede municipal de ensino de Ponta Grossa e graduanda em Letras pela UEPG).
CLIQUE AQUI E VEJA O TRAILER


30/04
MUITO ALÉM DO JARDIM
(EUA/1979)
De Hal Ashby.
Com Peter Sellers e Shirley MacLaine.
Baseado na obra de Jerzy Nikodem Kosiński.
Comentários: Fábio Augusto Steyer (Doutor em Literatura pela UFRGS, Mestre em História pela PUCRS, professor do curso de Letras da UEPG).
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28/05
CORALINE E O MUNDO SECRETO
(EUA/2009)
De Henry Selick.
Baseado na obra de Neil Gaiman.
Comentários: Ana Carla Vieira Bellon (Mestranda em Literatura pela UFPR).
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18/06
NINA
(Brasil/2004)
De Heitor Dhalia.
Com Guta Stresser, Wagner Moura e Renata Sorrah.
Roteiro de Marçal Aquino.
Inspirado em “Crime e Castigo”, de Fiodór Dostoiévski.
Comentários: Bruno Scuissiatto (Mestrando em Letras pela UEPG).
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27/08
REBECCA
(EUA/1940)
De Alfred Hitchcock.
Com Laurence Olivier e Joan Fontaine.
Baseado na obra de Daphne du Maurier.
Comentários: Paula Starke (Graduanda em Letras pela UEPG e pesquisadora da obra de Alfred Hitchcock).
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24/09
A OSTRA E O VENTO
(Brasil/1997)
De Heitor Dhalia.
Com Leandra Leal, Lima Duarte e Fernando Torres.
Baseado no romance de Moacir Costa Lopes.
Comentários: Ubirajara Araújo Moreira (Doutor em Literatura e professor do curso de Letras da UEPG).
CLIQUE AQUI E VEJA O TRAILER

22/10

ÉDIPO REI
(Itália/Marrocos/1967)
De Pier Paolo Pasolini.
Com Silvana Mangano e Franco Citti.
Inspirado na tragédia de Sófocles.
Comentários: Keli Cristina Pacheco (Doutora em Literatura pela UFSC e professora do curso de Letras da UNICENTRO).
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sábado, 12 de março de 2011

VEM AÍ...

sexta-feira, 11 de março de 2011

VEM AÍ...


sábado, 26 de fevereiro de 2011

O encontro marcado do cinema de Fernando Sabino com Drummond


A produtora Bem-te-vi Filmes tem uma importância vital para a permanência de nomes da literatura brasileira em películas. Em 1972 o escritor Fernando Sabino e o crítico de cinema David Neves realizaram o audiovisual de dez obras ligadas a alguns autores, e agora reunidas no DVD "Encontro Marcado com o Cinema de Fernando Sabino", organizado pela gravadora Biscoito Fino do Rio de Janeiro.
Importantes nomes como do poeta Carlos Drummond de Andrade (acompanhe abaixo o curta – O Fazendeiro no ar), Vinicius de Moraes, João Cabral de Melo Neto, Jorge Amado, Guimarães Rosa, Érico Verissimo, José Américo de Almeida, Afonso Arinos, Pedro Nava, além do curta O Poeta do Castelo (exibido aqui no blog na semana passada), de Joaquim Pedro de Andrade com a presença de Manuel Bandeira.  


O curta-metragem O Fazendeiro do ar (1972) traz um Carlos Drummond de Andrade que dialoga com o expectador, mostrando alguns dos seus pontos de vista. Se o barulho característico do mar ecoa de forma carioca, são suas lembranças itabiranas, que chegam a constatação do mito mineiro, conforme própria narrativa do poeta.
As cenas do curta privilegiam um Drummond cotidiano – tomando um pingado encostado no balcão da padaria, ao mesmo tempo em que sua narrativa contrapõe com a cena mostrada. Ou ainda, o poeta dentro de um ônibus municipal lendo – são fatos que mostram o compromisso da direção em desmontar a aura do poeta, aqui, se metamorfoseando no contato com as pessoas.
Com colagens na película, somos colocados de frente com referências, como da atriz sueca Greta Garbo, símbolo do cinema hollywoodiano entre os anos 20 e 40 do século passado. Porém, é no centro da sua família – ele, esposa e filha, que o curta-metragem mostra um Drummond centrado nas questões familiares.
Certamente é com o close no sorriso de Drummond na parte final do filme que evoca o gauche que presenciamos nos dez minutos de projeção.


Bruno Scuissiatto




[O Fazendeiro do Ar, direção de Fernando Sabino e David Neves, 1972]



domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Poeta do Castelo - curta-metragem

O diretor Joaquim Pedro de Andrade certamente foi um dos cineastas que teve comprometimento em realizar obras autorais dentro do cinema brasileiro na primeira metade do século XX. Com os longa-metragens: Garrincha, Alegria do Povo (1963), O Padre e a Moça (1965), Macunaíma (1969) e os Inconfidentes (1972) o diretor conseguiu destaque entre os cinemanovistas.
Chama atenção nestes filmes o envolvimento das produções com aproveitamentos oriundos da cultura popular, seja com o futebol, a poesia (o Padre e a Moça é baseado no poema homônimo drummondiano.
 Porém sua estreia no papel de diretor foi em 1959 com os curtas-metragens O Mestre dos Apipucos e O Poeta do Castelo. Em ambos os personagens centrais são Gilberto Freyre e Manuel Bandeira, que são os protagonistas em seus cotidianos.
O curta O Poeta do Castelo em si, somente pelos créditos da direção e elenco representam muito para nossa cultura literária. Assina a direção ao lado de Pedro de Andrade o escritor Fernando Sabino, além do poeta Manuel Bandeira atuando dentro do discurso dos seus próprios poemas.
A primeira cena é magistral, pois demonstra o Bandeira ator debruçado sobre um freezer da coca-cola, com o close na sua expressão ao tossir, visualizamos na parede uma propaganda da chicletes. Nesse tempo o recurso de passear com a câmera pelo conjuntos de prédios no centro do Rio de Janeiro, denota uma ausência que parece ser a extensão da consciência do protagonista. Contribuem para essa ideia, a música instrumental que permanece pela penumbra entre janelas e jornais pelo chão.
Com a voz do poeta declamando o poema Belo-belo temos novamente a narrativa pairando pelas sacadas e janelas do edifício, quando se volta do corte, temos uma abertura de cena com o close nas panelas – isso demonstra toda uma estética de imprimir realismo no cotidiano de Manuel Bandeira.  No mais temos um Bandeira caseiro e despojado em sua cama datilografando versos.
A própria narrativa do filme é feita pela interpretação de Manuel Bandeira contracenando com os seus próprios versos.  
Em dez minutos Joaquim Pedro de Andrade conseguiu fazer um dos nossos maiores poetas ser a própria representação da sua poesia. Pelos passos finais no filme somos ilustres convidados para sentir um pouco da Pasárgada fílmica.


Bruno Scuissiatto





Um novo ano no Cinemas e Temas



O ano acadêmico começou na última quarta-feira para os cursos de graduação na UEPG. Com isso o Cinemas e Temas prepara suas atividades para voltar a oferecer sessões fílmicas nos ciclos temáticos e nos diálogos entre o cinema e a literatura.
Em 2010 o projeto exibiu no primeiro semestre o ciclo sobre os filmes adaptados da obra de Agatha Christie e no segundo foi a vez de filmes com a direção de Alfred Hitchcock. Dessa forma o projeto fechou nos seus dois primeiros anos quatro ciclos de exibição e discussão em torno das obras fílmicas. Lembrando que no ano de 2009 foram exibidos filmes dentro das temáticas – Morte e Mitologia Grega.
Além disso, nas sessões mensais dos Diálogos entre o Cinema e a Literatura, foram exibidos nove películas (RAN, Stardust – O Mistério da Estrela, As Horas, Vidas Secas, Batman Begins, As Sete Faces do Dr Lao, Persépolis, Irmãos Karazamov e Rosa Púrpura do Cairo). Estas sessões tiveram a presença de convidados que faziam uma prévia das projeções e debates em torno dos filmes posteriormente.
Na parte prática o cinema proposto pelo projeto pautou-se em difundir as múltiplas linguagens cinematográficas, privilegiando épocas de produção distintas, fotografias e música.
Já o trabalho da equipe do projeto além dos eventos na UEPG, percorreu vários quilômetros e muitos pedágios pelo país. Foram diversos eventos na área de letras que tiveram a participação de integrantes da equipe comandada pelo professor Fábio.

"Cinema e Literatura: Uma Relação de Diversos "Andares". Prof. Fábio Augusto Steyer, coordenador do projeto, será o conferencista de abertura da 18ª Semana de Letras da Universidade Federal do Pará, em Belém.


VII SELISIGNO e VIII Simpósio de Leitura, na UEL, em Londrina, Paraná. Rosenéia Hauer, Paula Starke e Caroline Wilt Araújo apresentaram trabalhos relativos ao projeto.


II Simpósio Internacional Diálogos na Contemporaneidade, promoção da UNIVATES, em Lajeado - RS. Prof. Fábio participou.


28º SEURS, promovido pela UDESC, em Florianópolis. Professores Fábio Augusto Steyer e Amanda Antunes Machado comandaram uma oficina no evento.

13ª Jornada Regional e 3ª Jornada Nacional de Estudos Linguísticos e Literários, no campus de Marechal Cândido Rondon da Unioeste. Flávia Almeida.


8º CONEX, em Ponta Grossa, na UEPG. Mayara, Isadora e Celine

1º CIELLI, em Maringá, na UEM. Carol, Paula, Bruno e o professor Fábio apresentaram seus trabalhos.
Semana de Letras da UFPR. Mesa redonda coordenada pelo professor Fábio e que contou com a participação de Celine, Mayara, Fernando, Bruno e Amanda.


XIV Seminário Nacional de Literatura e História - 200 Anos do Romantismo, organizado pela FAPA (Faculdades Porto-Alegrenses). Professor Fábio.

I Semana de Enfrentamento à Violência contra crianças e adolescentes do curso de Serviço Social da Universidade Estadual de Ponta Grossa. Bruno.


Essa quantidade de trabalhos apresentados em diversos lugares demonstra o comprometimento do Cinemas e Temas enquanto projeto de extensão atuando nas frentes da prática e pesquisa.

Estejam todos convidados para os próximos eventos do projeto.

Saudações cinéfilas e literárias para esse novo semestre

Equipe Cinemas e Temas.


2011 – ano 3.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BREVE

Aguarde mais informações sobre os eventos e projetos do Cinemas e Temas em 2011:

CINEMA E VIOLÊNCIA;

CINEMA E MÚSICA;

DIÁLOGOS ENTRE LITERATURA E CINEMA.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

CONFIRA OS VENCEDORES DO FESTIVAL DE BERLIM

- Urso de Ouro de Melhor Filme:
"Nader and Simin - a separation", de Asghar Farhadi (Irã)

- Urso de Prata, Grande Prêmio do Júri:
"O Cavalo de Turim", de Béla Tarr (Hungria)

- Urso de Prata de Melhor Diretor:
"A doença do Sono", de Ulrich Kohler (Alemanha)

- Urso de Prata de Melhor Atriz:
Concedido ao elenco feminino de "Nader and Simin - a Separation"

- Urso de Prata de Melhor Ator:
Concedido ao elenco masculino de "Nader and Simin - a Separation"

- Urso de Prata de Melhor Contribuição Artística:
Woyciek Staron, na câmera, e Bárbara Enríquez, em desing da produção, no filme "El premio", de Paula Markovitch (Argentina, México, França, Polônia e Alemanha)

- Urso de Prata de Melhor Roteiro:
Joshua Marton e Andamion Murataj por "The Forgiveness Of Blood" (EUA, Albânia, Dinamarca, Itália)

- Prêmio Alfred Bauer ao Filme Mais Inovador:
"If Not Us, Who", de Andres Veiel (Alemanha)

- Prêmio de Melhor Primeiro Filme:
"On the Ice", de Andrew Okpeaha MacLean (EUA)

- Urso de Ouro de Melhor Curta-metragem:
"Night Fishing", Park Chan-wook e Park Chan-kyong (Coreia do Sul)

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

A ROSA PÚRPURA DO CAIRO: O CINEMA VAI AO CINEMA / O CINEMA VAI À AULA DE TEORIA LITERÁRIA.

Por Rosana Harmuch*, palestrante na última sessão do Diálogos entre a literatura e o cinema.


Como acontece com todas as grandes obras de arte, o filme A rosa púrpura do Cairo (Woody Allen, 1985) também abre várias portas diante daquele(s) que ocupa(m) o lado de cá. Mais um dos inúmeros casos de potencial ‘orgia perpétua’, para usar uma feliz expressão que Mario Vargas Llosa consagrou, ao se referir ao romance Madame Bovary, de Flaubert e consequentemente a todas as obras sobre as quais podemos nos debruçar eternamente. Assim, creio que a sessão de encerramento do Cinemas e Temas fica bem definida se a chamarmos de uma orgia. Acadêmica e intelectual, claro, que não se corra o risco de precisar explicar as sempre escorregantes palavras... Meus agradecimentos, portanto, aos que enfrentaram a intermitente chuva de sábado à tarde para me acompanhar nas duas portas que abri para o filme de Woody Allen: O CINEMA VAI AO CINEMA e O CINEMA VAI À AULA DE TEORIA LITERÁRIA.
Para providenciar água na boca de quem não foi, vale uma ‘olhadinha’ em Top rat (1935), Bancando o Águia (1924) e Abismo de um sonho (1952); uma ‘relidinha’ em Dom Quixote, de Cervantes, Madame Bovary, de Flaubert e O primo Basílio, de Eça de Queirós.

Tudo ao som de Cheek to cheek, na voz de Fred Astaire, de preferência. Se não der, serve na do Frank Sinatra, na da Diana Krall, na da Jane Monheidt, na do Rod Stewart...

* Doutora em estudos literários pela UFPR, professora na graduação e pós-graduação no mestrado em Linguagem, Identidade e SubjetividadeLetras na UEPG.