terça-feira, 22 de junho de 2010

DIÁLOGOS ENTRE LITERATURA E CINEMA - ALTERAÇÃO DE DATA


Pessoal!

A sessão do dia 26/06 foi transferida para a semana seguinte.
Portanto, no dia 03/07, sábado, no campus central, às 14 horas, quarta sessão dos "Diálogos entre literatura e cinema", evento do projeto Cinemas e Temas, com o filme "Vidas Secas". de Nelson Pereira dos Santos, baseado na obra de Graciliano Ramos. Comentários de Bruno Scuissiatto.
Entrada gratuita e emissão de certificados.
Participem!!!

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Meio século de "Psicose", a obra icônica de Alfred Hitchcock




 Anthony Perkins no papel de Norman Bates em cena de "Psicose" (1960), de Alfred Hitchcock

Fernando Mexía (UOL)
http://cinema.uol.com.br/ultnot/efe/2010/06/15/meio-seculo-de-psicose-a-obra-iconica-de-alfred-hitchcock.jhtm


O clássico de Alfred Hitchcock "Psicose" completa 50 anos como a obra prima do cinema de suspense reconhecido mundialmente por sua já mítica cena do assassinato no banheiro executado pelo alienado Norman Bates. Apesar de ter estreado com críticas desfavoráveis em 16 de junho de 1960 em uma sala nova-iorquina, o filme acabou convencendo a indústria e o público, que meio século depois continua fã desta obra emblemática.

"Psicose" voltou aos cinemas em abril no Reino Unido e em 19 de outubro vai ganhar uma edição especial em formato blu-ray - não há data de lançamento prevista no Brasil. "Psycho 50th Anniversary Edition" incluirá uma versão remasterizada do filme em alta definição e contará com inúmeros conteúdos extras, entre estes um documentário sobre como foi realizado o filme, o trailer original e uma análise da inconfundível cena do chuveiro.

O filme, protagonizado por Janet Leigh e Anthony Perkins, leva o espectador a um estranho hotel administrado por Norman Bates, um homem que aparentemente vive submisso a mãe, onde chega uma mulher que foge para a Califórnia para começar uma nova vida com seu namorado, após ter roubado US$ 40 mil de sua empresa.

Uma parada no caminho será a última para a personagem interpretada por Leigh, que morrerá esfaqueada enquanto toma banho, em uma sequência tão reconhecida por suas imagens quanto pela sua trilha sonora.

Os violinos serviram para o compositor Bernard Herrmann para gerar a tensa melodia que vai "crescendo", enquanto ocorre o ataque que em 2009 foi votado como a mais aterrorizante da história do cinema em uma pesquisa realizada pela entidade de direitos autorais de propriedade intelectual britânica PRS for Music.

Além de seu impacto audiovisual, esse crime de ficção chegou a se transformar em objeto de livros, como o publicado em março por Robert Graysmith, "The Girl in Alfred Hitchcock's Shower", dedicado a falar da vida dupla de Leigh em "Psicose". O corpo nu da atriz na famosa cena era de Marli Renfro, uma mulher que chegou a ser capa da "Playboy" antes de desaparecer e correr a notícia equivocada de que havia sido assassinada. O papel de Renfro em "Psicose" foi mantido em sigilo pela produção em 1960, tanto pelo diretor quanto pela estrela do filme, Leigh, quem por pudor se negou a tirar a roupa diante das câmeras.

Essa não foi a única artimanha do "mestre do suspense" para o lançamento do filme, que se baseou no romance homônimo publicado em 1959 por Robert Bloch, inspirado na figura de Eddie Gein, um assassino serial de Wisconsin que nos anos 50 colecionava restos humanos em sua fazenda.

Uma vez que decidiu fazer "Psicose", Hitchcock iniciou uma campanha para impedir que o público conhecesse antecipadamente o fim da trama, por isso comprou todas as cópias da primeira edição do livro, cujos direitos tinha adquirido por US$ 9 mil.

"Psicose" foi rodado em um estúdio fechado e obrigou a todos os trabalhadores a assinar um contrato que os obrigava a não mencionar o fim para ninguém. Com a ideia de manter a tensão durante as projeções, Hitchcock aparecia nos cartazes do filme alertando os espectadores que não aceitaria ninguém na sala após o início da sessão.

"Psicose" é possivelmente o título mais conhecido da filmografia deste cineasta, que também fez produções como “Os 39 Degraus” (1935), "Interlúdio" (1946), "Janela Indiscreta" (1954), "O Homem Que Sabia Demais" (1956) e “Intriga Internacional (1959).

terça-feira, 15 de junho de 2010

SEMANA DE JELL, NA UNIOESTE, E ALCAR, NA UNICENTRO




Nesta semana, ficamos todos na torcida pela Flávia, que vai apresentar trabalho do projeto na 13ª Jornada Regional e 3ª Jornada Nacional de Estudos Linguísticos e Literários, no campus de Marechal Cândido Rondon da Unioeste.

A programação está no site do evento:

CLIQUE ABAIXO:
13ªJELL UNIOESTE
O Prof. Fábio também estará apresentando pesquisa no 1º Encontro PR/SC de História da Mídia, em Guarapuava, na Unicentro.

CLIQUE ABAIXO:
ENCONTRO DE HISTÓRIA DA MÍDIA UNICENTRO


Boa sorte!!!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

MAIS UMA SEMANA REPLETA DE EVENTOS PARA OS PARTICIPANTES DO PROJETO



Semana cheia: Mayara, Isadora e Celine apresentando o projeto no 8º CONEX, em Ponta Grossa, na UEPG.
Carol, Paula, Bruno e Fábio apresentando seus trabalhos no 1º CIELLI, em Maringá, na UEM.
Vamos que vamos!!!

CINEMAS E TEMAS NA SEMANA DE LETRAS DA UFPR

sábado, 29 de maio de 2010

AS HORAS

POR ROSANA GELINSKI

“Encarar a vida de frente. Encarar sempre a vida de frente. E conhecê-la como ela é. Enfim conhecê-la. Amá-la pelo que ela é. E depois... Descartá-la. Sempre os anos entre nós. Sempre os anos... Sempre... O amor. Sempre... As horas.” (DALDRY, 2003)




Muito mais do que essa impressão das horas e dos anos esperam pelos espectadores do filme As Horas, de Stephen Daldry (2003). Inspirado no romance Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf, o filme é uma adaptação do livro As Horas, de Michael Cunningham, e apresenta uma narrativa não linear. Assim como no romance de Woolf, o diretor optou pela consciência das personagens, que é uma das questões de maior destaque no filme. A forma como o diretor mostra o universo subjetivo das personagens aproxima-se muito da linguagem literária introspectiva de Virginia Woolf.
A subjetividade que é somente internalizada pelos leitores de Mrs. Dalloway é vivenciada pelos espectadores em As Horas. Desta forma, o filme ilustra, de forma convincente, como o fluxo de consciência ocorre, ao mostrar a recorrência de momentos que estão minuciosamente inseridos no cotidiano das personagens, três mulheres separadas pelo tempo, cujas vidas estão intimamente interligadas pela obra Mrs. Dalloway.
Além do fluxo de consciência, tanto a obra Mrs. Dalloway quanto o filme As Horas propiciam discutir temas ligados ao feminismo, a dicotomia vida/morte, loucura, tempo, guerra e outros.
Vale à pena conferir! E deixar se levar pelas imagens do filme de Daldry, que tem muito a revelar sobre a vida e obra de Virginia Woolf, e o que se esconde atrás do comportamento humano.

sábado, 22 de maio de 2010

O CINEMA ESPETÁCULO E O ANTI-FILME

POR FÁBIO AUGUSTO STEYER


Nos dois últimos dias, situações opostas moveram minha fome de cinema.
Ontem à tarde, no único multiplex aqui de Ponta Grossa, fui assistir ao blockbuster em 3D do momento: o remake de "Fúria de Titãs". Afinal, vivemos na época em que o sucesso de um filme depende da quantidade de cópias lançadas pela distribuidora!!!
O simples fato de ser refilmagem de uma obra de que gosto bastante já seria motivo de interesse. Mais a mitologia grega e estaria fora de questão deixar de assistir.
Um bom filme, mas nada além do original, que ainda é um tanto melhor. Mudaram um pouco a narrativa mitológica, mas isso é inerente à própria mitologia: a existência de várias versões da mesma história. O filme mais recente é até um pouco mais claro em algumas passagens, como a explicação que dá para a origem de Calibus. Os efeitos especiais são muito bons, mas não têm o mesmo impacto que tiveram na época os do filme original. Uma coisa bem legal é a homenagem que fizeram à corujinha Bubo, uma das personagens essenciais e memoráveis do primeiro filme. 
As decepções são a trilha sonora (muitíssimo melhor no filme da década de 1980) e a total inexistência de efeitos 3D!!! Parece incrível, mas o filme só foi lançado em 3D para atrair público. Não há um só efeito que justifique o ingresso caro de 3D. Portanto, fica aqui a dica: gaste menos grana e veja a versão convencional.
Bom, mas essa foi apenas a minha primeira experiência cinematográfica dos últimos dois dias. Foi a do "cinema espetáculo".
A outra foi "O Signo do Caos", derradeiro filme do "marginal" Rogério Sganzerla, exibido no projeto "Cinearte", no Teatro Ópera, também aqui em Ponta Grossa. Nesse verdadeiro "anti-filme", o falecido e consagrado diretor literalmente vomita a cultura brasileira goela abaixo de nós, meros espectadores acostumados a narrativas convencionais como "Fúria de Titãs". Não é filme para ser lançado em salas regulares de exibição comercial. É daqueles que espantam espectadores, que não agüentam ficar até o final do filme. Nunca leve uma garota, no primeiro encontro, a um filme de Sganzerla ou a um filme iraniano: ela vai largar você na hora... É sério!
Na verdade, a experiência cinematográfica de Sganzerla é esteticamente provocante e interessante demais para ganhar uma só cópia que seja em exibição nos cinemas convencionais. Com temperos de brasilidade (como o assovio de "Aquarela do Brasil"), o que vemos na tela é uma mistura do cinema marginal à la Bandido da Luz Vermelha, figurinos e iluminação de policial noir e o contraste gritante de luz e sombra do expressionismo alemão. A montagem, premiada no Festival de Brasília, é maravilhosa, e às vezes lembra a experiência surrealista de Buñuel e Dalí em "Um Cão Andaluz" (como no início da segunda parte do filme, em cores). A parte inicial, em preto em branco, é mais bem-sucedida, especialmente pelos engenhosos e provocativos diálogos. Aparentemente sem sentido, vão fundo na alma do fazer cinema, da estética em si, da vida do ser humano e da cultura brasileira, num mosaico que só mesmo um mestre do deboche anárquico no cinema, como Sganzerla, poderia fazer.
Enfim...
Está posto o duelo do cinema espetáculo versus o anti-filme.
Cada um que saque suas adagas - ou pistolas.
Prefiro ver a luta de longe, como mero espectador.
Afinal, penso que ambos têm uma contribuição significativa para a história do cinema.
O mundo seria bem melhor se os críticos de cinema não torcessem o nariz para "Fúria de Titãs".
E se o espectador comum tivesse um mínimo de senso estético para suportar ficar sentado na poltrona até o final de "O Signo do Caos".  



   

SEMANA DE EVENTOS PARA O CINEMAS E TEMAS

POR FÁBIO AUGUSTO STEYER

A próxima semana será repleta de eventos para o pessoal do Cinemas e Temas.
Na segunda, estaremos em Curitiba, apresentando mesa-redonda na Semana de Letras da UFPR. Participação de Celine, Mayara, Fernando, Bruno e Amanda. A coordenação ficou comigo.
Em seguida, este que vos escreve ruma a Porto Alegre para apresentar trabalho no XIV Seminário Nacional de Literatura e História - 200 Anos do Romantismo, organizado pela FAPA (Faculdades Porto-Alegrenses).
E no sábado, terceira sessão dos "Diálogos Entre Literatura e Cinema", com o filme "As Horas" e comentários de Rosana Gelinski.
E nas próximas semanas tem mais...
Haja fôlego!!!

sexta-feira, 21 de maio de 2010

FILME TAILANDÊS SOBRE FÁBULA BUDISTA VENCE PALMA DE OURO

DO SITE UOL
THIAGO STIVALETTI

Colaboração para o UOL, de Cannes
 
Foi uma escolha ousada, mas maravilhosa e muito justa. O júri presidido por Tim Burton concedeu a Palma de Ouro ao filme tailandês “Uncle Boonmee who can recall his past lives” (Tio Boonmee que se lembra de suas vidas passadas), de Apichatpong Weerashetakul, um filme difícil mas encantador sobre um homem doente na floresta da Tailândia que lembra de suas antigas reencarnações, como peixe e outros animais.
Tim Burton foi honesto com aquilo que mais lhe atrai nos seus próprios filmes: a magia e a fantasia. “O mundo está mais ocidentalizado, e esse é um filme de outro país que usa elementos de fantasia de uma outra maneira. É um sonho estranho e bonito como não costumamos ver”, declarou após a premiação.
“Obrigado ao público por me dar uma chance de compartilhar meu mundo com vocês. Agradeço todos os espíritos e fantasmas da Tailândia que me permitiram estar aqui”, agradeceu Apichatpong.

Juliette Binoche vence prêmio de Melhor Atriz em Cannes

Juliette Binoche e Javier Bardem confirmaram seu favoritismo como melhor ator e atriz do festival. Mas houve uma surpresa: Bardem dividiu o prêmio com o italiano Elio Germano de “La Nostra Vita”, que fez um belo discurso atacando o premiê Silvio Berlusconi: “Nosso presidente nos critica dizendo que fazemos filmes que falam mal da Itália; quero apenas dizer que a Itália um país maravilhoso, apesar da nossa classe dirigente”.
Antes da cerimônia, a apresentadora Kristin Scott-Thomas fez mais um protesto contra a prisão do iraniano Jafar Panahi: “O festival termina hoje e a cadeira do jurado Panahi continua vazia. Este é o nono dia de sua greve de fome. Steven Spielberg nos ligou e lembrou que o Festival de Cannes é uma fortaleza que protege o cinema, uma porta para a liberdade. Esperamos que ele esteja aqui no próximo ano”.
A lista de apresentadores digna de Oscar contou com atores como Emmanuelle Béart, Kirsten Dunst, Guillaume Canet, Diane Kruger, Salma Hayek e Charlotte Gainsbourg.

Premiados:
Palma de Ouro
“Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, de Apichatpong Weerasethakul (Tailândia)

Grande Prêmio do Júri
“Des Hommes et des Dieux” (de homens e deuses), de Xavier Beauvois (França)

Melhor Ator
Javier Bardem, por “Biutiful”, de Alejandro González Iñárritu (México/Espanha)
Elio Germano, por “La Nostra Vita”, de Daniele Luchetti (Itália)

Melhor Atriz
Juliette Binoche por “Copie Conforme”, de Abbas Kiarostami (França/Itália/Bélgica)

Melhor Diretor
Mathieu Amalric, por “Tournée” (França)

Melhor Roteiro
Lee Chang-dong, por “Poetry” (Coreia)

Prêmio do Júri
“A Screaming Man”, de Mahamat-Saleh Haroun (Chade)

Caméra d’Or – melhor primeiro longa-metragem
“Año Bisiesto”, de Michael Rowe (México) – Quinzena dos Realizadores

Palma de Ouro - melhor curta-metragem
“Chienne d’Histoire”, de Serge Avedikian (França)

Prêmio do Júri – curta-metragem
“Micky Bader”, de Frieda Kempf (Dinamarca)

LIVRO DE JORGE AMADO É BASE DA TRAMA DE "QUINCAS BERRO D'ÁGUA"

DO SITE UOL

Quincas Berro D'Água, nascido Joaquim Soares da Cunha, um dia foi um respeitado funcionário público. Mas isso foi há muitos anos, quando ele ainda acreditava na humanidade, na família, nos valores burgueses. Infelizmente, ele morre no dia em que completaria 72 anos. Esse detalhe, no entanto, não impede que seus quatro amigos - que estão mais para escudeiros - lhe dêem uma última noitada.
"Quincas Berro D'Água", adaptação do romance "A Morte e a Morte de Quincas Berro D'Água", de Jorge Amado, roteirizada e dirigida por Sérgio Machado ("Cidade Baixa"), que chega aos cinemas do Brasil nessa sexta-feira, segue em linhas gerais a obra original, uma das mais vendidas do escritor baiano, morto em 2001.

O livro, no entanto, é apenas um ponto de partida - nunca o de chegada, ou seja, o longa não se limita apenas a explorar os personagens e situações do original.
Com elegância e respeito pelo original, Machado toma os personagens e temas de Jorge Amado para si e os transforma em personagens cinematográficos.
Fora das páginas do livro, eles ganham outra dimensão, outros significados, assim, como a morte do protagonista. Paulo José, que em seu currículo conta com personagens marcantes como o padre, de "O Padre e a Moça", "Macunaíma", ou Edu, de "Edu Coração de Ouro", acaba de criar mais um tipo inesquecível - especialmente por conta de sua interpretação.
Pode parecer simples interpretar o papel de um morto, mas Paulo empresta ao personagem nuances e cores que faltam a muitos vivos (dentro e fora das telas). Seu risinho irônico é um comentário mordaz à hipocrisia de sua família que insiste em varrer para debaixo do tapete seu passado recente de boemia. Mariana Ximenes ("Hotel Atlântico") faz a filha, Vanda, e Vladmir Brichta ("Romance") é o genro almofadinha, acomodado na vidinha burguesa.
Essa é a família oficial. Mas, no fundo, mais conta aquela família de amigos que escolhemos para nós e, nesse quesito, Quincas estava muito bem servido com Pastinha (Flavio Bauraqui, de "Meu Nome não é Johnny"), Pé de Vento (Luis Miranda, de "Jean Charles"), Cabo Martim (Irandhir Santos, de "Viajo Porque Preciso, Volto Porque te Amo") e Curió (Frank Menezes, conhecido ator de comédia baiano, que também participou de filmes como "Tieta").
Cada um tem o seu perfil, suas qualidades e fraquezas. Tal qual Dorothy e seus três amigos em "O Mágico de Oz", Quincas e seu quarteto estão em busca de algo, para o grupo e para si - mas, talvez, não estejam cientes dessa jornada.
Pastinha é medroso, Pé de Vento é desbocado, o Cabo tem a bravura, mas talvez lhe falte um pouco de modéstia, e Curió é o eterno sonhador que busca um amor. Dos quatro, ele é a figura mais patética, querendo declamar versos com a maquiagem do rosto borrada de lágrimas.
Fora os amigos, Quincas deixa para trás um grande amor, Manuela, prostituta madura, melancólica e infeliz com a perda do amado. Marieta Severo, que faz a personagem, lhe confere uma dose de dignidade que talvez outra atriz não conseguisse.
O amor, que a muita coisa redime, é a razão de ser dessa mulher que, agora, sem Quincas estará sozinha. Com o peso da idade, talvez jamais encontre novamente outro homem para estar com ela. Amor mesmo, esse parece que foi só um.
Já a personagem da filha Vanda é mais bem desenvolvida no filme que no livro. A morte do pai, com quem ela não tinha contato há alguns anos, é uma catarse, um grito, um aviso de que a vida passa. A faz perceber como o tempo passa rápido e talvez não tenhamos chance de fazer tudo aquilo que queremos, pretendemos ou merecemos.
"Quincas Berro D'Água" deixa uma lição não apenas para Vanda. É preciso viver intensamente o presente. Quincas teve a chance de ganhar uma última noite de esbórnia, de festa com os amigos. Ele pode, mesmo morto, aproveitar a vida. Mas é um caso raro.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)